Nova campanha de fragrâncias da Burberry levanta debate sobre a prática do "Femvertising" na moda

27/08/2023

A abordagem empoderadora da mulher Burberry na publicidade em meio aos casos de retrocesso desta prática na sociedade.

Foto: Burberry // stylist.fr
Foto: Burberry // stylist.fr

A atriz Emma Mackey, conhecida por seus papéis em "Barbie", "Sex Education" e "Morte no Nilo", lidera um grupo de leões em uma jornada impressionante, proclamando a força interior de todas as mulheres. "Há uma deusa em todos nós tão forte quanto uma leoa... abrace o poder interior", declara Mackey, ao chegar ao topo de um morro e contemplar um pôr do sol deslumbrante.

Essa campanha arrojada é parte do lançamento da nova fragrância "Deusa da Burberry", que chegou ao mercado em agosto e é elogiada por Mackey. No entanto, a estratégia de marketing por trás dela levanta um questionamento crucial: Até que ponto as marcas autenticamente apoiam as causas femininas ou se estão apenas aproveitando a onda do "femvertising".

O termo "femvertising" é uma combinação de "feminismo" e "publicidade", referindo-se à prática de incorporar mensagens feministas e empoderadoras em campanhas publicitárias para promover produtos. Embora essa abordagem seja bem-intencionada ao destacar questões de igualdade de gênero e empoderamento feminino, ela também levanta a preocupação sobre a autenticidade das marcas em seu apoio às causas femininas.

A estratégia de "femvertising" pode ser uma faca de dois gumes. Por um lado, pode ajudar a conscientizar e normalizar discursos importantes, como a igualdade de gênero, e incentivar uma mudança social positiva. Por outro lado, existe o risco de as marcas serem vistas como oportunistas, capitalizando o feminismo para vender produtos sem realmente adotar ações concretas para impulsionar a mudança. 

Portanto, enquanto as marcas podem adotar essa abordagem para atrair os consumidores modernos e socialmente conscientes, é fundamental que também demonstrem um compromisso genuíno em apoiar as causas que estão promovendo. Afinal, a verdadeira mudança requer ações reais, não apenas palavras vazias.